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Início - Mundo - Com laboratório de ponta, Brasil quer ter papel chave na resposta global a epidemias

Com laboratório de ponta, Brasil quer ter papel chave na resposta global a epidemias

RedacaoBy Redacaomaio 26, 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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Uma das maiores lições da pandemia de Covid-19 foi a necessidade de uma melhor preparação para crises de saúde. Essa é a opinião do físico José Roque, que dirige o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Cnpem.

Ele lidera a criação do primeiro laboratório público de biossegurança máxima do Brasil e da América Latina, o Órion, que terá nível 4 de contenção biológica, o patamar máximo, e deve ficar pronto em 2028. Em entrevista para a ONU News, o cientista explicou a importância do projeto.

Cnpem
Projeto do laboratório de biossegurança máxima Órion, que está em construção no Brasil

Reforço da biossegurança

“Há um consenso na comunidade mundial que, mais cedo ou mais tarde, uma pandemia pode de novo eclodir no mundo, ou eventos que podem não se tornar mundiais, mas são localmente importantes. E acho que o mundo aprendeu e o Brasil, em particular, da necessidade de se estar preparado, de você ter infraestruturas e capacidade para atuar quando esses eventos ocorrerem. Não adianta no meio do evento você decidir: ‘vou agora construir alguma coisa’. Não dá tempo. ‘Ou vou formar pessoas’. Não dá tempo. Então, a lição da pandemia fez com que o Brasil voltasse a discutir infraestruturas de biossegurança”.

Roque disse que durante a pandemia o país decidiu aumentar a quantidade de laboratórios de nível 3, que podem manejar patógenos como o próprio vírus da Covid-19, o Sars-CoV-2, e o hantavírus. No entanto, essas unidades não têm como lidar como vírus mais perigosos, como ebola. 

Além de suprir esta lacuna, o Órion vai ter uma capacidade ímpar no mundo, pois será o único laboratório de biossegurança máxima conectado a um acelerador de partículas, o Sirius, que também é abrigado pelo Cnpem. 

Investigações na escala celular

Esta infraestrutura é uma fonte de luz síncrotron, um tipo de radiação eletromagnética extremamente brilhante usada como um “microscópio gigante” para revelar a estrutura atômica, molecular ou nanométrica de diversos materiais. José Roque:

“O objetivo é você poder entender como que esses vírus ocupam as células, controlam as células. Então, trazer uma técnica complementar às técnicas tradicionais, biológicas e que permita que você investigue isso nesse nessa escala celular”.

O cientista explicou que três linhas de luz do Sirius serão destinadas ao Órion e vão ajudar a compreender como as doenças mais mortais do mundo evoluem. 

Uma linha de luz vai ser usada para entender como esses vírus se instalam nas células, outra para estudar como tecidos e órgãos são afetados e a última para gerar imagens de altíssima resolução em animais usados em pesquisas, como roedores e até pequenos primatas, como explicou o físico José Roque.

Infraestrutura a serviço do bem comum

“Essa é uma capacidade que vai colocar o Brasil como uma infraestrutura para pesquisa única, apoiando não somente os cientistas brasileiros, mas como você mencionou, o mundo inteiro. Além disso, Órion vai prever a capacidade de desenvolvimento de fármacos e participação com o Ministério da Saúde na área de vigilância sanitária, vamos poder fazer desenvolvimento de vacinas. Então é um complexo que se insere, vamos dizer assim, em uma grande rede mundial de laboratórios desse tipo”.

Roque afirmou que, quando esta capacidade estiver instalada, o Brasil poderá contribuir no esforço global de compreensão de um vírus importante como o ebola, ou do sabiá, um vírus de nível 4 presente no próprio território nacional.

Ele espera que o Órion se transforme em um polo importante para políticas de saúde pública na América Latina e um centro de referência no enfrentamento de desafios sanitários globais.

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Com informações da ONU

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