O litoral norte já é bastante procurado por turistas. Motivos não faltam para isso: a região conta com belas praias, serras cobertas pela Mata Atlântica, trilhas para todos os níveis de aventureiros, cachoeiras impressionantes e rios que “caminham” em direção ao mar. Porém, as cidades de Bertioga, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba também contam com outro atrativo: o “birdwatching”, ou, em português, observação de pássaros.
São mais de 400 espécies de aves registradas na região. Algumas são raras, outras coloridas como joias, e todas vivem livres em seu habitat natural. As características da região formam um verdadeiro santuário para a avifauna brasileira, e os viajantes podem caminhar pelas cidades e se deparar com inúmeros tipos de aves.
LEIA TAMBÉM: Mantiqueira Paulista e Nascentes do Tietê ganham destaque em guia de turismo de natureza
Todos os itinerários estão na 2ª edição dos Roteiros de Observação da Vida Silvestre, guia turístico online lançado pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP), em parceria com a Fundação Florestal. Confira os destaques do Litoral Norte:
Bertioga
Em Bertioga, há a Trilha de São Lourenço, onde os visitantes podem realizar avistamentos durante o ano inteiro, com diferentes aves em cada época. A trilha fica no Parque Estadual Restinga de Bertioga, um local rico em vida selvagem, incluindo diversas espécies de pássaros. A área abriga tanto aves residentes quanto migratórias, com registros de mais de 117 espécies, incluindo algumas endêmicas e ameaçadas de extinção.
As principais aves encontradas na trilha são a garça-branca-grande (Ardea alba), que pode ser vista tanto em áreas úmidas quanto em manguezais e regiões próximas à água; os guarás-vermelhos (Eudocimus ruber), reconhecidos por sua plumagem vibrante e comumente avistados nas restingas; e os colhereiros (Platalea ajaja), também encontrados na restinga. Outras aves presentes na região são tinamús (gênero de aves da família Tinamidae, conhecidas popularmente como macucos ou inhambus), jacuaçus (Penelope obscura) e marrecas-caneleiras (Dendrocygna bicolor).
A trilha é considerada fácil, com distância de 6 km (ida e volta). Ainda no Parque Estadual Restinga de Bertioga, existe o projeto Besourinhos da Mata, iniciativa que busca introduzir a observação de aves para crianças de forma lúdica. As melhores épocas do ano para a atividade são o inverno e a primavera. São 15 km percorridos em dois dias. No trajeto, as principais aves são tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) e saíra-sete-cores (Tangara seledon).
Ubatuba
Em Ubatuba, há duas experiências ideais para quem quer observar pássaros. A primeira delas é visitar o Sítio Folha Seca, com mais de 20 espécies de beija-flores. A distância do percurso é de 4 km. Além disso, outros animais que podem ser avistados são a onça-parda (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis) e o ouriço (Erinaceinae sp.). A melhor época do ano para a experiência é entre abril e novembro.
São Sebastião
Em São Sebastião, há a Rota do Surucuá, que possui alto potencial para proporcionar uma experiência marcante de observação de aves. Logo na primeira parada, na Fazendinha, é possível observar uma grande variedade de espécies com hábitos semelhantes devido às características do ambiente, que possui solo encharcado, áreas brejosas, ampla área descampada e abundância de alimentos disponíveis.
No roteiro, é possível observar tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus), periquito-de-bochecha-parda (Pyrrhura molinae), saí-verde (Chlorophanes spiza), tangará (Chiroxiphia caudata), saíra-militar (Tangara cyanocephala) e gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis). Outros animais encontrados na rota são macaco-prego (Sapajus apella), preguiça-de-três-dedos (Bradypus variegatus) e esquilo (Sciurus ingrami). A melhor época do ano para visitar é entre maio e setembro. A distância é de 3 km, e o percurso dura cerca de sete horas.
Caraguatatuba
Em Caraguatatuba, uma das opções é a Rota das Aves. O roteiro de observação na Mata Atlântica proporciona uma experiência imersiva em um dos biomas mais ricos em fauna e flora do mundo. Durante a atividade, os participantes percorrem trilhas em meio à floresta, acompanhados por guias especializados, com a oportunidade de observar e identificar diversas espécies de aves nativas.
Além da contemplação da fauna, o roteiro promove contato direto com a natureza, educação ambiental e valorização da conservação dos ecossistemas da Mata Atlântica. A Rota das Aves pode ser percorrida durante todo o ano. A distância é de 1 km, com duração de três horas. As principais aves encontradas são saíra-sete-cores (Tangara seledon), araçari-banana (Pteroglossus bailloni), tangarazinho (Ilicura militaris), murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) e pica-pauzinho-barrado (Picumnus cirratus). Outro animal que pode ser avistado é o macaco-prego (Sapajus nigritus).
Ilhabela
Em Ilhabela, os viajantes podem ter uma experiência memorável: a vivência na Área de Soltura Monitorada Cambaquara. O espaço é responsável pelo recebimento, reabilitação e soltura monitorada de aves silvestres, especialmente psitacídeos — família de aves que compreende espécies de papagaios, periquitos e araras, entre outros.
Entre as espécies observadas no local estão o papagaio-moleiro (Amazona farinosa), o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), a tiriba (Pyrrhura frontalis), a saracura (Aramides cajaneus) e a fragata (Fregata magnificens). A distância é de 1 km, e o percurso dura três horas. Para mais informações, acesse os perfis no
Para os mais aventureiros, outra opção é a Expedição Jacutingas Ilhabela. O percurso dura três dias e duas noites e, nesse período, os turistas podem observar várias aves, como jacutinga (Aburria jacutinga), macuco (Tinamus solitarius), pariri (Geotrygon montana), coruja-preta (Strix huhula), choquinha-de-dorso-vermelho (Drymophila ochropyga), papagaio-moleiro (Amazona farinosa), tiê-sangue (Ramphocelus bresilius), trinca-ferro (Saltator similis), araçari-poca (Selenidera maculirostris), choquinha-de-garganta-pintada (Rhopias gularis), tovaca (Chamaeza campanisona), pica-pau-rei (Campephilus robustus), cuspidor-de-máscara-preta (Conopophaga melanops), gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) e tangará (Chiroxiphia caudata). A melhor época do ano para realizar a expedição é entre junho e outubro. Para mais informações, entre em contato com o Convention Bureau Ilhabela.


