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Início - São Paulo - Estudo simula a digestão humana e mostra como o corpo aproveita minerais das castanhas

Estudo simula a digestão humana e mostra como o corpo aproveita minerais das castanhas

RedacaoBy Redacaojunho 15, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Comer alimentos ricos em minerais como as castanhas não é garantia de que o corpo vai conseguir aproveitar todos esses nutrientes. Um estudo conduzido na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) buscou avaliar a chamada bioacessibilidade desses compostos, ou seja, a fração do mineral efetivamente liberada durante a digestão e disponível para absorção.

Com apoio da FAPESP, os pesquisadores concentraram a investigação em duas oleaginosas amplamente consumidas no país: a castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e a castanha-de-caju (Anacardium occidentale). O processo de digestão humana foi simulado em laboratório. Os resultados foram publicados em março na revista Química Nova.

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“A linha de pesquisa é voltada à avaliação do real valor nutricional dos minerais presentes na dieta. Nesse contexto, estudamos alimentos de grande relevância econômica no Brasil. Nosso grupo não determina apenas a quantidade [concentração] total de elementos presentes nos alimentos, mas também utiliza ensaios que simulam os processos de digestão gástrica e intestinal sobre essas amostras”, explica o químico Angerson Nogueira do Nascimento, professor associado da Unifesp e coordenador do estudo, realizado em parceria com o grupo do professor Dário Santos Junior, do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF), campus de Diadema.

Foram avaliados quatro minerais: o cobre, que é importante para formação dos glóbulos vermelhos, produção de energia e manutenção do sistema imunológico; o magnésio, fundamental para saúde óssea e função muscular; o manganês, com ação antioxidante e participação na formação dos ossos e tecidos conjuntivos; e o zinco, essencial para o sistema imunológico, cicatrização e síntese de proteínas.

Após selecionar as amostras, os cientistas determinaram a concentração total desses minerais nas castanhas. Em seguida, avaliaram a bioacessibilidade dos nutrientes por meio de um experimento que simula a digestão gastrointestinal humana in vitro.

Liberar não é o mesmo que absorver

Os pesquisadores destacam a diferença entre bioacessibilidade e biodisponibilidade. A primeira refere-se à fração do nutriente que é liberada do alimento no trato gastrointestinal e que fica potencialmente disponível para absorção. Já a biodisponibilidade corresponde à parcela desses nutrientes que é efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo, considerando processos como distribuição, metabolismo e excreção. Enquanto a bioacessibilidade pode ser avaliada em laboratório por meio de ensaios in vitro, a biodisponibilidade exige estudos com animais ou seres humanos, o que demanda altos recursos e requer aprovação de um comitê de ética em pesquisa.

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No experimento, os pesquisadores simularam em laboratório as condições do sistema digestivo humano, incluindo temperatura, agitação, pH e composição enzimática. Depois, compararam os resultados obtidos com as recomendações diárias de ingestão dos minerais.

Os resultados mostraram que, nas castanhas-de-caju, cerca de 56% do cobre e 52% do magnésio presentes no alimento estavam disponíveis para absorção após o processo de digestão simulada. Já o manganês e o zinco foram encontrados em quantidades insuficientes para medição confiável (estavam abaixo do limite de detecção da técnica instrumental).

Na castanha-do-pará, aproximadamente 50% do cobre e 28% do magnésio apresentaram bioacessibilidade. O manganês e o zinco, também neste caso, permaneceram abaixo do limite de detecção.

Portanto, apesar das castanhas analisadas apresentarem uma quantidade considerável de cobre, magnésio, manganês e zinco, apenas uma parte desses elementos fica disponível para absorção no organismo humano.

“Os resultados demonstraram que a avaliação do valor nutricional de um alimento não deve se restringir à concentração total dos nutrientes. É fundamental investigar também o comportamento desses elementos em condições que simulem o sistema digestivo, permitindo estimar sua real disponibilidade para absorção”, diz Nascimento.

Segundo o pesquisador, as castanhas analisadas não devem ser consideradas fontes exclusivas desses nutrientes, mas podem contribuir de forma complementar para uma dieta equilibrada e diversificada.

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Com informações da Agência São Paulo

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