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Início - Mundo - Países lusófonos unem forças em tecnologia nuclear pacífica e combate ao câncer

Países lusófonos unem forças em tecnologia nuclear pacífica e combate ao câncer

RedacaoBy Redacaojunho 21, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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A ciência nuclear tem sido uma ferramenta para salvar vidas e impulsionar o desenvolvimento, superando a tradicional produção de energia através da iniciativa Átomos pela Vida, promovida pela Agência Internacional de Energia Atómica. 

No centro desta estratégia global, a língua portuguesa atua como uma ponte para transferir tecnologia médica e agrícola ou fortalecer sistemas de saúde em África e na América Latina por meio de uma cooperação técnica atuando no cotidiano dos hospitais e campos agrícolas.

Impacto real em crises urgentes

Falando à ONU News, na sede das Nações Unidas, o diretor adjunto do Escritório de Ligação da Aiea em Nova Iorque, Nuno Luzio, realça que o impacto real destas ações responde a crises urgentes. 

“Por exemplo, que é de fácil entendimento, que é o diagnóstico e o tratamento do cancro. Só para os nossos ouvintes terem uma ideia, 50% a 60% dos pacientes com cancro terão, a certa altura da doença, tratamento por radioterapia. E esse tratamento é uma tecnologia nuclear.”

Os países de língua portuguesa na agência da ONU que promove estas iniciativas são Angola, Brasil, Cabo Verde, o membro mais recente, admitido em 2023, Moçambique e Portugal.  

Nuno Luzio disse que mesmo avançando a ritmos diferentes, o grande trunfo atual destes países reside numa colaboração que une atores com experiências distintas em torno de um propósito partilhado.

Brasil e Portugal

“Todos os países lusófonos, obviamente, o país charneira (de articulação) do ponto de vista nuclear é o Brasil. É um grande país, com um programa nuclear ambicioso, pacífico, e, obviamente, cheio de recursos, e, portanto, também com recursos humanos. Portanto, o Brasil tem sido um país que também tem um assento no nosso Conselho de Governadores. Portugal também, agora, mas, de facto, é um país com muito interesse em matérias nucleares e com muito conhecimento. Portugal, curiosamente, não tendo um programa nuclear, tem bastante conhecimento e expertise em física, em física nuclear e em medicina nuclear, e Angola e Moçambique estão hoje também, no fundo, a reforçar as suas capacidades.”

A transferência de conhecimento para fins pacíficos gerou uma rede de solidariedade técnica e científica que transforma realidades, apoiando diretamente nações como Angola e Moçambique em momento crucial de expansão das suas capacidades institucionais e de saúde.

Para mostrar que diplomacia não se esgota em corredores, Luzio disse que o intercâmbio gera resultados práticos no terreno.   

“O que é interessante ver aqui no mundo lusófono é a cooperação que há entre estes países, mesmo no âmbito da agência, e, por exemplo, só para ilustrar aquilo que estou a explicar, por exemplo, no ano passado, três técnicos de radioterapia e dois enfermeiros especializados foram treinados, de Moçambique, do Hospital Central de Maputo, foram treinados em radioterapia no Brasil, por exemplo, ou, há alguns anos atrás, Portugal decidiu dar 50 bolsas e isenção de propinas em 20 mestrados em áreas do nuclear, particularmente em física nuclear e medicina nuclear, aliás, as bolsas eram, na maior parte, focadas em medicina nuclear, por exemplo, a países africanos de língua oficial portuguesa. E, portanto, há, de facto, cada vez mais um entendimento que os lusófonos entre si se devem apoiar nesta área do nuclear.”

O Brasil tem sido um país que também tem um assento no nosso Conselho de Governadores. Portugal também, agora, mas, de facto, é um país com muito interesse em matérias nucleares e com muito conhecimento.

Sucesso do tratamento e dignidade aos pacientes

O vice representante da Aiea defende que estes laços históricos funcionam como facilitadores de conhecimento científico crítico.

Na linha da frente contra doenças cancerígenas, o aumento de casos reportados no mundo e no continente africano prende-se fortemente com o fator demográfico. Nuno Luzio contou que com o crescimento da esperança média de vida, as populações vivem mais tempo, elevando a propensão para doenças oncológicas e tornando as ferramentas nucleares indispensáveis.

© Unicef/Karel Prinsloo
Aiea apoia a cooperação transformando a ciência nuclear pacífica em tratamentos oncológicos

O apoio da Aiea cobre o trajeto de cuidados do paciente, atuando desde diagnóstico avançado com imagiologia nuclear até ao tratamento de precisão com radioterapia direcionada e suporte em cuidados paliativos para o alívio de sintomas. 

O foco principal desse apoio está na eficiência, pois o uso de técnicas avançadas de imagem detecta tumores em fase inicial, maximizando o sucesso do tratamento e garantindo maior dignidade aos pacientes. 

Além da medicina, a tecnologia nuclear pacífica continua a expandir o seu rastro no mundo lusófono em setores essenciais como a gestão da água, a agricultura de precisão e a segurança alimentar.

*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News. 

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Com informações da ONU

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