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Início - São Paulo - Capital - Comissão de Trânsito debate resultados da gestão da SPTrans 

Comissão de Trânsito debate resultados da gestão da SPTrans 

RedacaoBy Redacaojunho 24, 2026Nenhum comentário9 Mins Read
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  1. A Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara Municipal de São Paulo realizou audiência pública, nesta terça-feira (22/06), para debater os dados do “Relatório Integrado da Administração – 2025” da SPTrans (São Paulo Transporte S/A). O documento apresenta os resultados da gestão da empresa responsável pelo planejamento, gerenciamento e fiscalização do sistema de ônibus da cidade de São Paulo. O texto reúne aspectos operacionais, financeiros, sociais, ambientais e governança.

A audiência atendeu a um requerimento proposto pelos vereadores Nabil Bonduki (PT) – presidente do colegiado – e Renata Falzoni (PSB).

“Nosso principal desafio é garantir que o transporte coletivo seja, de fato, a prioridade da mobilidade urbana, como prevê o Plano Diretor. Apesar dos avanços alcançados, ainda observamos queda no número de passageiros e de viagens, redução de receita e aumento dos subsídios públicos. Por isso, defendemos a revisão dos contratos e do modelo de operação, para que São Paulo tenha um sistema de ônibus mais eficiente, confortável e acessível para a população”, disse Nabil Bonduki.

“Mais do que entusiastas da mobilidade urbana, nós, eu e Nabil Bonduki, sabemos da importância do transporte coletivo para o funcionamento de uma cidade do porte de São Paulo. A solução para os desafios da mobilidade não passa pelo automóvel individual, mas pelo fortalecimento do transporte de massa, que é fundamental para avançarmos na construção de uma cidade mais eficiente e sustentável”, complementou Renata Falzoni.

Relatório da SPTrans

Entre as ações do relatório está a ampliação da frota de ônibus movidos a energia limpa. Em 2025, o sistema encerrou o ano com 1.149 veículos eletrificados – entre os movidos a bateria e os trólebus. O documento destaca que o desempenho contribuiu para que a cidade recebesse reconhecimento internacional durante o Fórum de Líderes Locais da COP 30, na categoria de transporte limpo e confiável.

A SPTrans também avançou na modernização tecnológica do sistema. O SMGO (Sistema de Monitoramento e Gestão Operacional) ampliou a capacidade de acompanhamento em tempo real da operação dos ônibus. Além disso, foram realizados estudos para a implantação de novos modais de transporte – como o Aquático-SP, o DRT (Digital Rail Transit) e projetos de teleféricos urbanos.

Na área da inclusão social, o relatório destaca programas como o Domingão Tarifa Zero, que já transportou mais de 310 milhões de passageiros aos domingos e feriados desde a criação, e o Mamãe Tarifa Zero, benefício voltado a famílias cadastradas no CadÚnico (Cadastro Único) com crianças matriculadas em creches municipais. O documento também aponta a criação das linhas temáticas Paulistar, dwstinadas ao acesso a parques, equipamentos culturais e opções de lazer da cidade.

Outra iniciativa é a gestão do Bilhete Único, que atualmente conta com cerca de 13 milhões de cartões ativos. Em 2025, os serviços digitais expandiram o atendimento aos usuários, com crescimento nos acessos ao portal da empresa e aumento da entrega domiciliar dos cartões.

Na parte financeira, a SPTrans administrou um orçamento de R$ 12,7 bilhões para aa operação e manutenção do sistema de transporte público municipal. O relatório informa que a arrecadação tarifária alcançou R$ 5,01 bilhões no período, enquanto os investimentos em infraestrutura e modernização somaram R$ 285,1 milhões – incluindo a manutenção de terminais, bilheterias e obras em corredores de ônibus.

O documento também ressalta trabalhos de governança, transparência e proteção de dados, além de iniciativas voltadas à integridade institucional e ao fortalecimento dos mecanismos de controle interno, reafirmando o compromisso da empresa com a prestação de serviços públicos de qualidade para a população paulistana.

Convidados

Participaram da audiência representantes da SMT (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte), da SPTrans, além de especialistas no tema e usuários do sistema.

Dados obtidos por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação), e apresentados na audiência pela equipe do gabinete do vereador Nabil Bonduki, apontam uma queda significativa no número de passageiros e na oferta de viagens de ônibus aos fins de semana. Os números mostram que a redução é ainda mais expressiva no período noturno, quando quase metade das viagens deixou de ser realizada.

Cadeirante, ativista do direito das pessoas com deficiência e integrante do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte), Sandra Ramalhoso questionou a responsabilidade da SPTrans em relação ao sucateamento da frota.

“O ônibus de piso alto ainda representa uma barreira ao direito de ir e vir das pessoas com deficiência, especialmente quando os elevadores não funcionam ou os veículos circulam em más condições. Isso compromete a mobilidade de cerca de 1,5 milhão de pessoas com deficiência na cidade de São Paulo. Por isso, é preciso questionar a qualidade do serviço prestado e a falta de cuidado das empresas com a garantia de um transporte verdadeiramente acessível e digno, já que o descumprimento dessas obrigações pode gerar prejuízos muito mais graves do que sanções administrativas, inclusive com a responsabilização judicial diante da violação desses direitos”, argumentou Sandra.

Da CMT-JÁ (Comissão de Mobilidade e Trânsito do Jabaquara), Mauro Ramon reforçou a preocupação referente à qualidade e ao tempo de espera entre um veículo e outro devido a redução das viagens desde a época da pandemia.

“Vivemos uma situação muito difícil nas regiões do Jabaquara, Cidade Ademar e Santo Amaro, com recorrentes quebras de veículos, precariedade do serviço, intervalos excessivos, acidentes, descumprimento de partidas e itinerários, além de relatos de conduta inadequada por parte de operadores. Recebemos diariamente, por meio de grupos de WhatsApp, diversas ocorrências com fotos e vídeos que comprovam esses problemas”, afirmou Mauro.

Responsável pela Assessoria Técnica da Diretoria de Planejamento de Transporte da SPTrans, Rafael Barros de Camargo destacou o impacto da pandemia na dinâmica do sistema de transporte e na demanda por viagens na capital. Ele também falou das mudanças estruturais na rede ao longo dos últimos anos.

Para Rafael, a evolução da infraestrutura – especialmente com a ampliação do transporte sobre trilhos e a alteração dos padrões de deslocamento da população – ajuda a explicar o atual cenário de oferta e demanda no sistema de ônibus da cidade.

“É inegável que a pandemia transformou tanto o sistema de transporte quanto os hábitos da população. Em 2011, a cidade chegou a transportar mais de 10 milhões de passageiros por dia, mas o cenário era diferente, inclusive com uma rede de trilhos menos desenvolvida. Nos últimos anos, a expansão desse modal também absorveu parte da demanda. Ainda assim, o sistema de ônibus mantém mais de 1.300 linhas e cerca de 11 mil veículos em operação, o equivalente a 95% da frota pré-pandemia. Hoje, porém, a demanda está em torno de 80% do registrado em 2019, o que significa que a oferta de transporte é proporcionalmente maior do que antes da pandemia”, pontuou Camargo.

Participação popular

João Moreirão, usuário do transporte coletivo da capital, avaliou que as medidas em andamento ainda não enfrentam de forma efetiva os principais problemas do sistema de transporte público. “O problema é que há uma série de programas e iniciativas que não enfrentam de fato a questão central. O que precisamos é de soluções efetivas para garantir um transporte público de qualidade. Enquanto isso não acontecer, quem sofre é a população, especialmente aquela que depende exclusivamente do sistema para se locomover pela cidade”.

Marcelo Siqueira Moreira, da CPM Lideranças SP, fez observações sobre a entrega recente de ônibus elétricos na capital ao apontar problemas estruturais que impedem a plena operação da frota. “No último domingo, a Prefeitura entregou 500 ônibus elétricos para a cidade, uma frota mais moderna e menos poluente, o que é positivo do ponto de vista da renovação tecnológica. No entanto, fica o questionamento à SPTrans e à Prefeitura: de que adianta ampliar a frota se parte desses veículos permanece nas garagens por falta de infraestrutura de recarga? É inadmissível que, na maior cidade da América Latina, ônibus novos não consigam sequer entrar em operação. A população precisa de veículos circulando e prestando serviço, e não apenas para fazer fotografias”, questionou.

Maria dos Anjos, moradora da região do Vera Cruz, no Distrito do Jardim Ângela, zona Sul de São Paulo, relatou a situação de abandono enfrentada pelos moradores em relação ao transporte público.

“Quando se fala em transporte, nós, que somos 300 mil habitantes naquela região, nos sentimos completamente abandonados pelo poder público. Hoje, ao vir para cá, presenciei uma senhora com mobilidade reduzida, usando muletas, ser ignorada por um ônibus da SPTrans em meio à chuva — sendo atendida apenas pelo veículo seguinte. Isso mostra a qualidade do serviço que temos em São Paulo, o que é um absurdo. Imagine o trabalhador que vive na nossa região, que sai de casa às 3h da manhã e só retorna por volta das 22h, enfrentando um sistema sem fiscalização e sem a devida atenção”, disse Maria.

Ao final das manifestações, o vereador Nabil Bonduki agradeceu a participação dos munícipes que estiveram presentes e destacaram as dificuldades enfrentadas no sistema de transporte público. O parlamentar ressaltou a importância da contribuição popular.

“São relatos muito importantes, e quero agradecer a participação de todos, inclusive daqueles que vieram de longe. As vozes de vocês estão sendo ouvidas por nós, e esperamos encaminhar à SPTrans tudo o que foi dito aqui, para que possamos contribuir com a melhoria do sistema de transporte, especialmente nas regiões mais afastadas do centro da cidade”, destacou Nabil Bonduki.

A íntegra da audiência pública da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica sobre o relatório da SPTrans, pode ser conferida clicando aqui.

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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

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