Em Sessão Solene realizada na manhã desta segunda-feira (29/06), a Câmara Municipal entregou a Medalha Anchieta e o Diploma de Gratidão da Cidade São Paulo ao escrivão Carlos Renato de Queiroz Bürger e à delegada Bárbara Lisboa Travassos. A homenagem foi proposta pela vereadora Janaina Paschoal (PP), com coautoria do vereador Silvinho Leite (UNIÃO). Concedidas em conjunto, as honrarias são um reconhecimento a paulistanos que tenham prestado serviços relevantes ao município.

Durante a sessão, a parlamentar destacou a importância da honraria para os profissionais da segurança pública. “O DHPP – Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa – é a investigação por excelência. É uma delegacia muito diferenciada, é o coração da investigação do estado. Estamos aqui para dizer que o trabalho invisível é visto. A cidade enxerga, reconhece e agradece. São servidores que não se contentaram com o arquivamento de um caso e deram uma resposta à família, mesmo anos depois. Isso é servir São Paulo”.

Carlos Renato de Queiroz Bürger recebeu a Medalha Anchieta pelo Decreto Legislativo nº 29/2026. Escrivão de polícia, atuou na 2ª Delegacia de Homicídios, na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) e, atualmente, na 5ª Delegacia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas, da Divisão de Proteção à Pessoa.

“Receber essa homenagem pelo trabalho que a gente faz todos os dias na Delegacia de Desaparecidos, é a confirmação de que vale a pena não desistir de nenhuma família. Cada caso é uma vida, é uma história. Gostaria de dedicar essa medalha ao senhor Sandro José, pai de Samuel. Um pai esforçado, dedicado. Eu me coloquei no lugar dele”, declarou Bürger, emocionado.

A delegada Bárbara Lisboa Travassos foi homenageada pelo Decreto Legislativo nº 22/2026. Titular da 5ª Delegacia de Pessoas Desaparecidas, ela completou 19 anos de efetivo exercício na Segurança Pública do Estado. Em agosto de 2024, recebeu também a medalha “Doutor Coriolano Nogueira Cobra” por 10 anos como docente da Academia de Polícia.

“Essa medalha não é só minha e do escrivão Bürger. É de toda a 5ª Delegacia. Todos os nossos policiais estão lá, porque gostam do que fazem. Nosso compromisso é não deixar nenhum desaparecido virar estatística. Enquanto houver uma possibilidade, nós vamos investigar”, afirmou Bárbara.

O caso Samuel Gustavo

Samuel saiu de uma festa na zona sul em 09/12/2017 e não voltou para casa. O corpo foi encontrado cinco dias depois, em 14/12/2017, no Rio Pinheiros, próximo à Avenida Guido Caloi. Por estar em avançado estado de decomposição e sem impressões digitais, ele foi enterrado como desconhecido no Cemitério Dom Bosco, em Perus.

O inquérito policial foi arquivado, mas o caso permaneceu aberto na 5ª Delegacia. Em 2024, a delegada Travassos designou Bürger para reavaliar todo o material. Ao consultar o site do Serviço Funerário da Prefeitura, o escrivão encontrou o registro de um desconhecido, com características físicas compatíveis: barba preta destacada, pinta próxima ao nariz, calça e tênis pretos.

“Quando vi o laudo e as fotos, algo me chamou atenção. Pedi o desarquivamento e a exumação”, explicou Bürger. Após exames de DNA, o Instituto de Criminalística confirmou em laudo de 28/05/2025 que o desconhecido tinha 99,99977% de probabilidade de ser filho de Maria Aureliano de Andrade e Sandro José de Andrade, pais de Samuel. A identificação foi concluída em maio de 2025.

“Depois de mais de sete anos sem resposta, conseguimos dar um desfecho à família. Foi um trabalho técnico, mas também humano”, disse a delegada.

Também participaram da cerimônia as seguintes autoridades: Ivalda Cristina Aleixo – diretora-geral do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios de Proteção à Pessoa); dra. Sandra Márcia Buzati – divisionária de Proteção à Pessoa; Fabiano Rueda Amorim – delegado de polícia; Daniela Branco – titular da Decradi; entre outras. Além de familiares, amigos dos homenageados, e Sândor Vasconcelos, diretor executivo da Rede Câmara SP.

Veja a íntegra da cerimônia aqui.

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Com informações da Câmara Municipal de São Paulo

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