As missões especiais trabalham discretamente para aliviar tensões, mediar acordos e apoiar transições políticas frágeis. As suas ferramentas são a negociação, a mediação e a diplomacia, promovendo a paz longe dos holofotes internacionais.
A diplomacia funciona e é imprescindível
No lançamento da primeira visão global abrangente destas missões, a subsecretária-geral da ONU para os Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, descreveu o seu historial como “por vezes modesto, por vezes histórico”.
Para a dirigente, o sucesso na gestão de crises por parte das Nações Unidas ao longo das últimas décadas, muitas das quais nunca chegaram às grandes manchetes, revela uma certeza: a diplomacia funciona e é mais necessária do que nunca.
A análise, publicada a 24 de junho, abrange 167 missões políticas especiais entre 1948 e 2025, revelando a evolução do papel político da organização e dos seus instrumentos multilaterais de paz e segurança.
Os eleitores do que era anteriormente conhecido como Togolândia Francesa, na África Ocidental, celebram a eleição de uma nova Câmara de Deputados em 1958, um passo em direção à independência do Togo
Prevenção de conflitos e promoção da paz
Atualmente, as missões especiais desempenham um vasto conjunto de funções, assentes na prevenção de conflitos, no apoio aos processos de paz e na construção de uma paz sustentável.
Algumas destas missões facilitam negociações de paz, outras monitorizam cessar-fogos, apoiam a delimitação de fronteiras, investigam violações graves ou assistem a processos de reforma política, em estreita articulação com governos e instituições.
A responsável sublinhou que a força das missões reside na sua flexibilidade: o mesmo instrumento que ajuda a negociar um cessar-fogo pode delimitar uma fronteira, ou apoiar o desmantelamento de um programa de armas químicas.
Invisível por natureza
No final de 2025, a ONU tinha 40 missões políticas especiais em funcionamento em todo o mundo. Hoje, estão cada vez mais focadas em tarefas políticas específicas: prevenção de conflitos, mediação, diplomacia regional e apoio a processos de paz adaptados a contextos concretos.
O seu trabalho é frequentemente invisível por natureza. Os enviados atuam através de diplomacia discreta, contactos confidenciais e um envolvimento paciente com governos, partes em conflito, organizações regionais e sociedade civil.
Neste sentido, a alta funcionária da ONU destacou que a publicação não representa apenas um registo do passado, mas também um lembrete do potencial da diplomacia na atualidade.
Rosemary DiCarlo acrescentou ainda que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, o diálogo pode abrir portas, a paciência pode construir confiança e a diplomacia é capaz de mudar o rumo da história.
O enviado especial para a Região dos Grandes Lagos, Huang Xia, durante uma visita à República Democrática do Congo em 2019
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Com informações da ONU
