Com quase 42 milhões de refugiados a nível global e operações em todo o mundo, a utilização de IA pode ajudar a identificar riscos de proteção mais cedo, melhorar a preparação para emergências e reforçar a tomada de decisões operacionais, afirmou o chefe do Acnur, Barham Salih.
IA ajuda na tomada de decisão
Segundo o alto funcionário, a utilização da IA de forma responsável e com salvaguardas robustas tem o potencial de reduzir a carga administrativa, melhorar a análise, acelerar decisões e capacitar os trabalhadores para dedicarem mais tempo a prestar proteção e a avançar com novas soluções.
O Acnur tem vindo a integrar o “Shape” nas suas operações, um assistente de IA generativa que funciona como uma plataforma interna segura e que consegue pesquisar bases de dados, orientações e documentação específica por país.
Refugiados sudaneses aguardando em um centro de registro do Acnur no Cairo, Egito.
Sistemas inovadores ao serviço dos refugiados
O Acnur dispõe ainda de uma rede de sites que fornece a refugiados e requerentes de asilo informação específica por país sobre registo, determinação de estatuto, reinstalação, apoio jurídico, saúde, educação, habitação e apoio a vítimas de violência baseada no gênero.
De acordo com o departamento das Nações Unidas, a próxima fase prende-se com a integração de uma ferramenta de IA que recolhe informação básica dos utilizadores, como país de origem e de asilo, e os encaminha diretamente para a informação mais relevante, apresentada na sua própria língua.
Deste modo, o Acnur pretende poupar tempo aos refugiados e reduzir deslocações desnecessárias, enquanto permite que os seus profissionais se dediquem a casos mais complexos que exigem contacto presencial.
Novas tecnologias, novos desafios
Apesar do seu potencial, o Acnur sublinha a necessidade de evitar que o acesso da IA a sistemas internos resulte em fugas de informação sensível que possam colocar as vidas dos refugiados em risco, tais como dados sobre etnia, religião, estatuto legal ou motivos de pedido de asilo.
A agência da ONU reconhece ainda limitações estruturais da IA, como “alucinações” de informação inventada ou possíveis enviesamentos nos dados e respostas.
Para garantir que a IA beneficie milhões de deslocados e apátridas, o Acnur sublinha a necessidade de estabelecer novas parcerias com empresas tecnológicas, organizações de refugiados, instituições de investigação, entidades filantrópicas e governos.
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Com informações da ONU


