Estima-se que mais de metade da população do país, de cerca de 11 milhões de pessoas, necessite de ajuda humanitária, à medida que a violência, o deslocamento e as dificuldades económicas se reforçam mutuamente.
Recursos escassos impedem uma ajuda generalizada
Para milhões de haitianos, a vida diária tornou-se uma luta para se manterem seguros, encontrarem comida suficiente e simplesmente se deslocarem nos seus próprios bairros.
Devido à violência, cerca de 1,47 milhão de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas. Já a perturbação dos serviços de saúde, do abastecimento de água e de programas de nutrição deverá lançar 5,8 milhões de pessoas na fome este ano.
Cerca de 6,4 milhões necessitam de assistência humanitária, entre as quais 3,3 milhões requerem apoio prioritário. Contudo, o apelo humanitário para 2026 está criticamente subfinanciado, sendo que apenas 25% dos US$ 880 milhões necessários tinham sido recebidos.
Uma funcionária da Opas aconselha uma mulher deslocada em um abrigo temporário no Haiti.
Instabilidade e incerteza política
O Haiti não tem um presidente eleito desde o assassinato do Presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021, devido à instabilidade e insegurança prolongadas.
Restaurar o governo democrático continua a ser um dos maiores desafios do país. No entanto, o controlo dos gangues armados dificulta o registo de eleitores, o transporte de material eleitoral e a garantia da segurança pública no processo eleitoral.
Ainda assim, os preparativos aceleraram nos últimos meses e, com um orçamento eleitoral de US$ 120 milhões aprovado, espera-se que a primeira volta das eleições possa realizar-se antes do final de 2026, permitindo que um presidente eleito tome posse em fevereiro de 2027.
Moradores fogem de Cité Soleil enquanto uma densa fumaça sobe devido aos confrontos entre grupos armados.
Longo caminho para a paz
As gangues armadas são responsáveis por homicídios, sequestros e deslocamentos forçados de comunidades inteiras. Por sua vez, a violência sexual está a ser cada vez mais utilizada para aterrorizar as mulheres e meninas nos bairros sob o seu controlo.
Pela primeira vez em muitos meses, as forças de segurança haitianas começaram a registar alguns sucessos concretos, ainda que limitados, contra os gangues armados.
Destaca-se, ainda, o lançamento da Força de Supressão de Gangues, uma operação internacional de segurança apoiada pela ONU, criada para ajudar o Haiti a recuperar o controlo de áreas dominadas por grupos criminosos.
A unidade começou a patrulhar Porto Príncipe em junho. Ao mesmo tempo, duas unidades judiciais especializadas começaram a operar para investigar crimes em massa, violência sexual e grandes crimes financeiros no país.
*Matéria adaptada do original de Daniel Dickinson
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Com informações da ONU


