As mudanças climáticas se tornam mais frequentes e severas, a cada ano, causando impactos mais fortes em regiões menos desenvolvidas do mundo, onde atualmente vive 75% da população jovem, aproximadamente 1 bilhão de pessoas.
Maior geração juvenil da história
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, alerta que os direitos dos jovens a um ambiente saudável, casa segura, emprego digno, saúde, alimentação e aprendizado estão todos ameaçados pela crise climática.
A situação é ainda pior para as meninas, que têm mais probabilidade de serem retiradas da educação quando ocorrem choques climáticos. Elas também são mais vulneráveis à violência de gênero após eventos extremos.
Mesmo em um cenário que afeta profundamente a vida e as perspectivas da juventude mundial, muitos estão assumindo a liderança na ação climática.
Como a maior geração juvenil da história, os jovens de hoje têm papéis cruciais no combate às mudanças climáticas, tanto em suas comunidades como no cenário global.
Ativistas climáticos protestam em Glasgow durante a COP26.
Resistência em um futuro imprevisível
Eles atuam como defensores e líderes comunitários, pesquisadores e educadores, inovadores e empreendedores que estão ajudando a construir sociedades mais resilientes e sustentáveis ao redor do mundo.
O Pnud ressalta que o envolvimento deles é crucial para o sucesso e a longevidade das soluções climáticas e para moldar sociedades de maneiras que possam resistir a um futuro cada vez mais imprevisível.
Apesar de estarem significativamente sub-representados nos processos de tomada de decisão, os jovens ajudaram a colocar as mudanças climáticas no centro das agendas políticas.
As demandas dos jovens por uma transição energética inclusiva e justa para um futuro de baixo carbono moldaram tanto as políticas nacionais quanto as negociações internacionais sobre o clima convocadas pelas Nações Unidas, por meio de grupos como a Youngo.
Equidade intergeracional nos tribunais
Alguns jovens também têm liderado esforços por justiça climática e equidade intergeracional nos tribunais.
Um dos exemplos mais significativos é o trabalho dos Estudantes das Ilhas do Pacífico Lutando contra as Mudanças Climáticas, um movimento de jovens das Ilhas do Pacífico que buscava obter um parecer consultivo sobre mudanças climáticas junto à Corte Internacional de Justiça.
Esse esforço levou, em última instância, à adoção de uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que reconhece que os países têm a obrigação de evitar causar danos significativos ao clima e ao meio ambiente e de cumprir seus compromissos existentes sob o Acordo de Paris.
As prioridades e demandas dos jovens são sintetizadas anualmente na Declaração Global da Juventude, o maior documento de política climática liderado por jovens, que é apresentado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Unfccc.
Uma fotografia de arquivo da Corte Internacional de Justiça
Cinco prioridades da juventude
Em 2025, o documento destaca cinco prioridades-chave para governos, instituições e empresas. A primeira é a entrega, pelos governos de compromissos climáticos claros com ações fortalecidas para uma eliminação completa, rápida e justa dos combustíveis fósseis.
A segunda é reconhecer e institucionalizar a equidade intergeracional como uma obrigação legal e ética em todas as decisões relacionadas ao clima. A terceira é afirmar que guerras, genocídios e conflitos causam degradação ambiental, agravam as mudanças climáticas e aprofundam as vulnerabilidades existentes.
A quarta é fornecer financiamento climático acessível, equitativo, transparente, baseado em subsídios e substancial, que deva ser disponibilizado para organizações juvenis, incluindo aquelas lideradas por Povos Indígenas, mulheres, pessoas de gênero diverso e outros grupos marginalizados.
A quinta é dar mais prioridade política para a adaptação às mudanças climáticas e fornecer apoio financeiro, transferência de tecnologia e desenvolvimento de capacidades para todos os países.
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Com informações da ONU


