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Início - Mundo - Bastidores da ação humanitária: A logística para salvar vidas em zonas de crise

Bastidores da ação humanitária: A logística para salvar vidas em zonas de crise

RedacaoBy Redacaoagosto 20, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Preparação e prontidão. Essas são as duas palavras que a brasileira Eika Abs considera centrais no seu trabalho no maior armazém humanitário do mundo, gerenciado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em Copenhagen, na Dinamarca.

Ela é coordenadora de Logística e Suprimentos de Emergência e tem a importante tarefa de garantir que itens que podem salvar vidas cheguem nas mãos das pessoas que precisam em menos de 72 horas.

© Unicef/UNI958807/Mansour
Suprimentos vitais para crianças e suas comunidades afetadas pela escalada da guerra no Líbano

Estratégias para movimentar as cargas humanitárias

No Dia Mundial Humanitário, celebrado em 19 de agosto, a ONU News conversou com a especialista sobre como ela define a estratégia logística mais eficiente. 

“Então nosso trabalho aqui é: Assim que existe uma emergência, vamos focar diretamente em quanto de estoque esse país tem para responder e quais são os países vizinhos, o que eles têm para responder também, porque geralmente a gente pega um do outro para ajudar em caso de emergência. Essa é a nossa maior prioridade. E assim a gente consegue movimentar a carga muito rápido. Também temos uma coisa que é fundamental, que são os acordos com os fornecedores locais, que também já estão prontos para responder. Porque, claro, é muito mais fácil você acionar um fornecedor local do que ter que mandar essa carga de Copenhagen. Então a gente tem que fazer essa análise rápido para poder ajudar da forma mais rápida possível”.

O Unicef, possui uma rede de mais 300 armazéns espalhados pelo mundo. Em 2025, a agência negociou compras com 12.327 fornecedores em 178 países. 

Segundo a coordenadora, o investimento tem sido feito cada vez mais na localização das cadeias de suprimentos, fortalecendo fornecedores regionais e ampliando as compras locais sempre que possível. 

Isso permite reduzir a dependência de longas cadeias internacionais, acelerar a resposta a emergências e fortalecer a capacidade dos países de atender às suas próprias necessidades.

Experiências na linha de frente

A brasileira conhece muito bem os bastidores da entrega de ajuda, mas também vai com frequência para a linha de frente, pois faz parte de um grupo de especialistas preparados para atuar em emergências humanitárias e já participou de missões em locais como Síria, Gaza e Moçambique. Ela compartilhou o que vivenciou nestas experiências. 

“Quando você está respondendo no centro de emergência, muda completamente, porque você está vendo com seus olhos a necessidade e a necessidade é muito grande, principalmente para a criança, que é o nosso foco maior, que são as pessoas mais vulneráveis, que estão ali numa situação horrorosa. Já vi coisas assim horrorosas mesmo, muito tristes de ver. Mas para mim, o mais interessante, claro que é ajudar e ver a carga chegar. Faz parte do meu trabalho, porque eu sei do começo e da dificuldade de fazer isso acontecer. Mas para mim, o mais interessante é a capacidade de responder, na verdade, ela é o resultado de uma cooperação que não aparece na hora da resposta”.

A especialista disse que a preparação e a prontidão são cada vez mais importantes num mundo em que o número de crises tende a aumentar. Ela destacou o trabalho do Unicef para preparar os países em termos de infraestrutura e pre-posicionamento de estoques antes que as emergências ocorram. 

Erika Abs / Arquivo Pessoal
A coordenadora de Logística e Suprimentos de Emergência da Divisão de Suprimentos do Unicef, Erika Abs, em missão de campo

Por dentro dos kits de ajuda

Erika Abs explicou que dependendo do tipo de emergência, que pode ser um conflito, desastre natural, surto de doença ou deslocamento populacional, serão montados kits específicos de ajuda.

No Armazém em Copenhagen, são montados 50 kits padronizados, prontos para envio imediato. A coordenadora de logística explicou que o kit mais enviado é o de cuidados médicos. 

“A gente tem um kit que a gente chama de ‘Interagency Health Kit’, que é como se fosse um mini hospital. Com ele você consegue salvar vidas de pessoas, de crianças, de mais de 500, 600 pessoas com um kit, uma caixa com coisas básicas como medicamentos, alguns instrumentos, gaze”. 

Já os kits destinados a criar espaços seguros para crianças incluem tendas grandes, brinquedos, equipamentos recreativos e livros didáticos.

Ela ressaltou que em crises como o terremoto na Venezuela, as crianças muitas vezes ficam sozinhas enquanto os país realizam buscas nos escombros. Por isso, é essencial que elas tenham oportunidades de educação e de recreação para passar o tempo.

Erika compartilhou que sente muito orgulho da qualidade desses kits, do impacto positivo que eles causam e da velocidade com que eles são enviados para quem precisa, graças ao trabalho realizado por diversos profissionais de logística que, assim como ela, estão focados em salvar vidas e proteger o bem-estar das crianças.

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News. 

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Com informações da ONU

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