O estudo “Esquecidos: Os Direitos das Vítimas Após Décadas de Conflito Armado no Afeganistão”, da Missão da ONU no país, Unama, analisa os efeitos dos 20 anos de guerra que antecederam o retorno do Talibã ao poder, em agosto de 2021.
Marcas no corpo e na mente
Com base no depoimento de 195 entrevistados, a pesquisa mostra que 95% das vítimas carregam fardos invisíveis da violência.
Entre os reflexos psicológicos mais comuns estão ansiedade severa, depressão profunda e episódios frequentes de estresse pós-traumático. Além disso, mais da metade dos entrevistados vive com sequelas físicas visíveis, como dores crônicas e deficiências permanentes.
Cenário é ainda mais dramático para as viúvas, imobilizadas pelas restrições das autoridades de facto
De acordo com a representante especial da ONU e chefe da Unama, Georgette Gagnon, o trauma coletivo do povo afegão é tão profundo quanto amplo. A “dor do passado continua a ditar o ritmo da vida no presente”.
A miséria e a negação da justiça
O impacto econômico é considerado arrasador. Sem recursos para custear tratamentos médicos, reconstruir casas destruídas ou alimentar suas famílias, os sobreviventes enfrentam um verdadeiro abismo financeiro.
O cenário é ainda mais dramático para as viúvas, imobilizadas pelas restrições do regime de fato, que as impede de trabalhar e reescrever a própria história.
Para a maioria, a busca por justiça é inalcançável. Por exemplo 55% das vítimas nunca tentaram buscar reparação por medo de retaliações ou total desconfiança nas instituições.
Além disso, acima de 60% dos que tentaram reparações voltaram de mãos vazias, barrados pela burocracia, pela discriminação e pelo descaso.
Um apelo por humanidade
Quando questionadas sobre suas prioridades, as vítimas citam três pilares: auxílio financeiro para a sobrevivência imediata, justiça para curar o trauma e garantias de que o horror não se repetirá.
O documento encerra com um chamado urgente à comunidade internacional e às autoridades locais: as vozes das vítimas devem estar no centro de qualquer plano de futuro.
O relatório exige que as autoridades locais implementem programas efetivos de assistência social e que os Estados-membros da ONU direcionem a ajuda humanitária para onde ela é mais urgente.
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Com informações da ONU


