Pelas novas estimativas, a situação poderá empurrar 4,8 milhões de pessoas para a pobreza.
Estimativas preveem consequências duradouras
A conclusão é de um relatório que alerta para as graves repercussões econômicas e sociais, bem como para os impactos em diversos setores produtivos, face à iminência de um episódio de elevada intensidade.
As estimativas da Cepal indicam que as perdas causadas pelo El Niño de caráter extremo podem acontecer nos próximos três anos. Para a entidade regional, metade do prejuízo deverá concentrar-se no primeiro ano da anomalia térmica.
Segundo o relatório, o impacto negativo do fenômeno na renda das famílias poderá levar até 4,8 milhões de pessoas à pobreza até o final da década, em comparação com um cenário de El Niño inexistente.
A Cepal sublinha ainda que os impactos econômicos serão profundamente heterogêneos e persistentes. Em adição à contração do PIB real, são esperadas pressões inflacionárias, pobreza e vulnerabilidades críticas nos setores energético, pesqueiro e agrícola.
El Niño pode levar pelo menos 49 milhões de pessoas a mais para a insegurança alimentar aguda até o final de 2027
Setor energético particularmente vulnerável
A avaliação aponta que os países latino-americanos revelam uma vulnerabilidade estrutural no setor energético.
Em alguns Estados, a geração hidrelétrica ultrapassa os 70% da matriz elétrica e mais da metade da capacidade instalada tem mais de 30 anos de uso.
As altas temperaturas deverão elevar a demanda de eletricidade para climatização em grandes metrópoles em momentos de menor disponibilidade hídrica, aumentando o risco de cortes de energia e custos operacionais adicionais.
À semelhança de El Niños passados, nos quais as capturas pesqueiras regionais sofreram reduções significativas, o relatório antecipa alterações nas cadeias alimentares, contribuindo para a migração de espécies-chave para o setor pesqueiro.
Já no setor agrícola, são identificadas probabilidades superiores a 70% de ocorrência de secas que afetarão a agricultura nos próximos meses, ameaçando as culturas de subsistência e a renda das comunidades rurais.
Probabilidade de fenômeno muito forte atinge os 90%
As projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, Noaa, indicam uma probabilidade superior a 90% de que o El Niño atinja uma intensidade muito forte durante o outono e o inverno de 2026-2027 do Hemisfério Norte.
O mesmo serviço indica que existe uma probabilidade de 69% de se registrar um “Super El Niño”, uma magnitude histórica do fenômeno com anomalias na temperatura da superfície do mar superiores a 2,5 °C ou 3 °C.
A Cepal sublinha que este fenômeno ocorre num contexto em que as mudanças climáticas provocadas pela humanidade têm amplificado a variabilidade natural da temperatura. Ainda em 2024, o planeta registrou uma temperatura média mundial 1,55 °C acima dos valores pré-industriais.
Produtores de batata em Santiago de Huata, La Paz, Bolívia.
Medidas estratégicas podem atenuar impactos
O secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs, enfatizou que as respostas adotadas após a declaração de emergência são consideravelmente mais caras do que as medidas preventivas.
De modo a evitar que os impactos climáticos se transformem em crises socioeconômicas prolongadas, o seu departamento instou os governos a adotarem uma série de medidas, antecipando os impactos do fenômeno climático.
No conjunto de medidas, destaca-se a incorporação dos riscos climáticos como critério permanente nas políticas nacionais, o recurso à proteção física de ativos, infraestrutura estratégica e meios de subsistência, bem como a coordenação regional de recursos compartilhados.
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Com informações da ONU
