Nesta quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde, OMS, e o Ministério da Saúde e Bem-Estar Social da Nigéria confirmaram o registro oficial de um caso importado de febre por vírus ebola bundibugyo na Capital Federal, Abuja. 

A agência realça que o caso representa um novo e importante desdobramento na vigilância epidemiológica regional, após a declaração do atual surto na República Democrática do Congo, RD Congo, em 15 de maio. 

Episódios anteriores 

Com a ocorrência, a Nigéria passa a ser o quinto país afetado nesta onda epidêmica, juntando-se ao Quênia, enquanto nações como França e Uganda já superaram e declararam o encerramento de seus episódios anteriores. A doença já registrou 9,5 mil casos e 4 mil óbitos no total.

© OMS/Grainne Harrington
Um paciente é transportado em um centro de tratamento de Ebola na República Democrática do Congo.

A paciente é uma mulher com histórico recente de viagem a Uganda, cujos sintomas manifestaram-se em 7 de outubro, apenas quatro dias após desembarcar em solo nigeriano. 

Diante da evolução do quadro clínico, ela procurou atendimento em uma unidade de saúde privada em Abuja no dia 11 de outubro, permanecendo monitorada até que os exames laboratoriais confirmassem a infecção pelo vírus nesta terça-feira. 

A paciente encontra-se agora isolada e recebe tratamento médico especializado, enquanto equipes de epidemiologia trabalham intensamente para rastrear sua rota exata de exposição e mapear todos os seus passos desde a chegada ao país.

Monitoramento ativo

As autoridades de saúde informam que 44 contatos diretos da paciente já foram identificados e estão sob monitoramento ativo, o que amplia o cerco sanitário e reforça os protocolos de prevenção e controle de infecções na clínica particular onde o atendimento inicial foi prestado. 

Em resposta imediata, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Nigéria acionou seu sistema de gestão de incidentes para coordenar a contenção rápida, a busca ativa por potenciais novos expostos e o suporte clínico contínuo.

Em paralelo, a OMS e seus parceiros internacionais colaboram estreitamente com o governo nigeriano para fortalecer as barreiras de contenção.

© Ocha/Ramatoulaye Moussa Maz
Um médico que trata pacientes com ebola no leste da República Democrática do Congo tem seu nome escrito nas costas para fins de identificação.

O processo inclui investigações aprofundadas, rastreamento minucioso de contatos e o fornecimento de suprimentos essenciais, como equipamentos de proteção individual destinados aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente.

Recomendação da OMS 

O cenário epidemiológico regional exige atenção redobrada, visto que o surto originado na RD Congo continua a evoluir e já impactou outras nações vizinhas, com destaque para o Quênia, que já teve nove casos ligados a uma infecção importada.

Diante desse panorama, a recomendação da OMS para todos os países da região é que mantenham um nível máximo de prontidão, englobando vigilância rigorosa de doenças.

A agência sugere ainda a capacitação de laboratórios para diagnósticos seguros e rápidos, preparação de equipes de resposta imediata e o reforço da segurança sanitária tanto em redes públicas quanto privadas.

As autoridades internacionais reiteram que restrições de viagens ou ao comércio com os países afetados não são recomendadas, priorizando em vez disso o monitoramento inteligente nos pontos de entrada e a comunicação ativa e transparente com as comunidades. 

A principal barreira para detectar infecções de forma precoce, proteger os profissionais de saúde e evitar qualquer transmissão secundária na comunidade continua sendo a prontidão contínua.

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Com informações da ONU

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