A secretária-geral da agência, Celeste Saulo, disse a jornalistas, em Genebra, que o El Niño atingirá o pico no final de 2026, mas seus impactos serão sentidos muito tempo depois disso.
Mulheres em Bangladesh caminham até um reservatório para coletar água na paisagem árida de Shyamnagar Union, em Satkhira.
Temperaturas 3,8°C acima da média
A chefe da OMM ressaltou que eventos climáticos extremos que já estão acontecendo devem “se multiplicar e se espalhar, à medida que o El Niño se intensifica”.
Ela explicou que a mais recente Atualização Global do Clima Sazonal prevê que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical, o epicentro do El Niño, podem subir para 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Celeste Saulo realizou a coletiva de imprensa ao lado do subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, enfatizando a necessidade de ações decisivas para proteger as comunidades mais vulneráveis.
Aumento da fome e choques na economia
O chefe humanitário da ONU disse que este El Niño será “colossal, com uma força destrutiva avassaladora”. Ele afirmou que o fenômeno climático vai trazer calor extremo, secas e inundações em várias partes do mundo, causando “consequências humanitárias de grande escala”.
Fletcher alertou que 50 milhões de pessoas podem enfrentar um agravamento da fome.
O fenômeno ocorre em um cenário marcado por conflitos generalizados, com muitas populações já deslocadas, preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos em disparada, além de cortes drásticos na ajuda humanitária.
O chefe de Ajuda Humanitária adicionou que os danos não ficarão restritos apenas aos países que estão na trajetória imediata deste El Niño, pois ele “provocará choques na economia global e impulsionará novos conflitos, deslocamentos populacionais e migrações”.
Hoang Trung Thanh, de 15 anos, está em uma área alagada no bairro de Truong Vinh, na cidade de Vinh, no centro do Vietnã, após a passagem da tempestade tropical Bualoi em setembro de 2025.
A janela para a preparação ainda está aberta
Ele enfatizou que a tecnologia e a capacidade de previsão evoluíram desde o último El Niño. Esse avanço, bem como as lições crises anteriores, precisam ser usados para garantir que as comunidades sejam o mais resilientes possível.
Para apoiar este trabalho, o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, liberou mais de US$ 50 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências para ajudar 11 países que estão na linha de frente, incluindo Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.
Celeste Saulo destacou que condições climáticas extremas não precisam se traduzir em emergências humanitárias ou em vítimas. A chefe da OMM ressaltou que a janela para preparação ainda está aberta em muitas regiões.
A prioridade é fornecer informações comprovadas para ajudar governos e organizações humanitárias a antecipar riscos, preparar operações e proteger populações vulneráveis.
Impactos esperados em algumas regiões
África Oriental: Condições mais úmidas que o normal são mais prováveis em partes da região durante a estação chuvosa de outubro a dezembro, aumentando as preocupações com chuvas intensas e inundações.
África Austral: O aumento dos riscos de condições mais secas pode afetar a produção agrícola, a disponibilidade de água e os meios de subsistência a partir de novembro, o início típico da estação chuvosa.
Sudeste Asiático: Condições mais quentes e déficits de chuva aumentam o risco de exposição ao calor e exercem pressão adicional sobre a agricultura e o abastecimento de água. A região enfrenta também um aumento dos riscos de incêndios florestais e névoa de fumaça.
Américas: Aumento das precipitações no noroeste dos Estados Unidos e no sudoeste da América do Sul. A América do Norte e a porção norte do Caribe também devem enfrentar precipitação acima do normal. Por sua vez, há um aumento do risco de seca em partes da América Central, do sul do Caribe e da Amazônia.
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Com informações da ONU


