O Estado de São Paulo completa, em 2026, 38 anos sem registrar casos de poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. A conquista, resultado de décadas de vacinação, exige atenção permanente para impedir a reintrodução do vírus, que ainda circula em outros países. No Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado em 24 de outubro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforça a importância de manter a vacinação em dia e a vigilância epidemiológica ativa.
A eliminação da poliomielite no Brasil foi resultado de décadas de vacinação. Em São Paulo, os efeitos das campanhas nacionais, iniciadas em 1980, foram expressivos. Naquele ano, o Estado registrou 101 casos da doença. Em 1981, o número caiu para sete, uma redução de 93%. O último caso em território paulista ocorreu em 1988, no município de Teodoro Sampaio, na região de Presidente Prudente.
No Brasil, o último registro foi confirmado em 1989. Cinco anos depois, em 1994, as Américas se tornaram a primeira região do mundo certificada como livre da transmissão do poliovírus selvagem pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
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A doença, no entanto, ainda não foi erradicada mundialmente. O poliovírus selvagem permanece em circulação no Afeganistão e no Paquistão, enquanto surtos associados a outras formas do vírus também são registrados em diferentes países. Esse cenário exige atenção permanente, especialmente em locais onde a cobertura vacinal está abaixo do recomendado.
Vacinação é essencial para manter a doença longe
Em São Paulo, a cobertura vacinal contra a poliomielite ainda não atingiu a meta de 95% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Dados preliminares da SES-SP, até agosto de 2026, apontam cobertura de 88,74% entre crianças menores de um ano e de 84,51% para o primeiro reforço, previsto aos 15 meses.
Desde agosto deste ano, o calendário nacional de vacinação passou a incluir uma segunda dose de reforço da vacina inativada contra a poliomielite (VIP), aos 4 anos de idade. A medida complementa o esquema exclusivamente injetável adotado pelo Brasil em 2024, quando a vacina oral, conhecida como gotinha, deixou de ser utilizada.
Atualmente, a vacinação contra a poliomielite é feita com cinco doses da VIP, aplicadas da seguinte forma:
- Aos 2 meses: primeira dose da vacina inativada poliomielite (VIP).
- Aos 4 meses: segunda dose.
- Aos 6 meses: terceira dose.
- Aos 15 meses: primeiro reforço.
- Aos 4 anos: segundo reforço.
Todas as doses estão disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Para ampliar a proteção das crianças, a SES-SP trabalha em parceria com os municípios na identificação de esquemas vacinais incompletos e na busca ativa de crianças com doses pendentes. As ações incluem conferência das cadernetas de vacinação, orientação às famílias e intensificação da vacinação nas UBSs, conforme as necessidades de cada região.
Vigilância epidemiológica
Mesmo sem casos há quase quatro décadas, São Paulo mantém a vigilância epidemiológica da poliomielite. O acompanhamento é realizado por meio do Programa de Vigilância das Paralisias Flácidas Agudas (PFA), que permite identificar e investigar precocemente possíveis casos da doença.
Pelo protocolo, todas as ocorrências de paralisia flácida aguda em menores de 15 anos devem ser notificadas e investigadas, independentemente do diagnóstico inicial. A investigação inclui a coleta de amostras de fezes para pesquisa do poliovírus, preferencialmente até o 14º dia após o início do déficit motor, além de reavaliação neurológica aos 60 dias.
A SES-SP também disponibiliza um painel público com informações sobre a vigilância da poliomielite e das paralisias flácidas agudas no Estado. Os dados podem ser consultados em https://nies.saude.sp.gov.br/ses/paralisia-flacida-aguda-pfa-poliomielite.
Sobre a doença
A poliomielite é uma doença viral altamente contagiosa que pode afetar crianças e adultos. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio de água, alimentos ou objetos contaminados, e também pode ocorrer pelo contato com secreções de pessoas infectadas.
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Quando surgem, as manifestações mais comuns incluem febre, mal-estar, dor de cabeça, alterações gastrointestinais e rigidez de nuca. Nos quadros graves, o vírus pode atingir o sistema nervoso e provocar paralisia súbita, principalmente dos membros inferiores, com risco de sequelas permanentes e morte.
Informação protege
O Governo de São Paulo disponibiliza o portal Vacina 100 Dúvidas, que reúne respostas às principais perguntas da população sobre imunização, segurança das vacinas, calendário vacinal e prevenção de doenças. A plataforma é gratuita e pode ser acessada em www.vacina100duvidas.sp.gov.br.
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Com informações da Agência São Paulo


