Ele disse que em todos os lugares, as pressões aumentam sobre o preço dos alimentos, dos combustíveis e de outros itens básicos. As taxas de juros subiram, tanto para as pessoas quanto para os países. E, para os jovens, a promessa de um futuro melhor está ficando cada vez mais distante.
Agitações globais
Para o líder das Nações Unidas, a frustração transbordou para as ruas, provocando agitações globais.
Agências de notícias informaram que, na França, houve pelo menos duas mortes, mais de 2 mil prisões, saques generalizados e toques de recolher locais em grandes cidades como Paris, Lyon e Marselha.
Guterres indica que a expectativa é de que governos e instituições internacionais cumpram seu papel e ofereçam resultados
Em Lisboa, Portugal, Madri e outros centros urbanos na Espanha, dezenas de milhares marcharam em protesto contra as graves crises de acesso à moradia.
Já a Itália viu manifestações sobre o alto custo de vida em Milão e Bolonha se tornarem desordenadas, levando a polícia a usar gás lacrimogêneo e canhões de água.
Na Albânia, as manifestações escalaram para confrontos violentos, com a polícia disparando balas de borracha contra a multidão.
Protestos anti-imigrantes e tensões crescentes
Na Ásia, o Irã enfrentou manifestações econômicas após quedas repentinas de sua moeda. Na África do Sul, protestos anti-imigrantes e tensões crescentes em Durban resultaram em vítimas graves durante marchas, segundo o relato das agências.
Guterres disse que, embora o desespero que impulsiona esses movimentos seja profundo, a violência e a destruição nas ruas permanecem inaceitáveis. Os responsáveis por atividades criminosas devem ser responsabilizados por seus atos.
Ele ilustrou que no clima, o El Niño, conhecido como um distúrbio localizado que altera padrões climáticos e vidas a milhares de quilômetros de distância, é agora observado como o que chamou de um autêntico “El Niño da guerra”.
Para o líder das Nações Unidas, a frustração transbordou para as ruas, provocando agitações globais
No entanto, ele apontou a instabilidade econômica como apenas metade da crise, numa realidade de conflitos globais que não estão apenas se intensificando, mas se expandindo.
Infraestruturas essenciais
Segundo ele, conflito alimenta o conflito. E os efeitos estão se espalhando para mais longe e mais rápido. Do Oriente Médio à Ucrânia e ao Sudão, ele disse que se observam civis e infraestruturas da população sendo deliberadamente colocados na linha de fogo.
Os locais afetados incluem lares, hospitais, escolas, aeroportos e instalações de energia, rotineiramente alvos de destruição.
Ele disse que a tensão crescente no Oriente Médio e além ameaça diretamente a segurança energética e alimentar global, intensificando as mesmas pressões de custo de vida que estão levando as pessoas às ruas e atingindo os mais vulneráveis com ainda mais força.
Guterres cobrou ação de autoridades globais contra desigualdades e em favor da diplomacia
Guterres quer que seja reconhecida uma falha mais profunda e sistêmica quando tais choques atingem um mundo que já é profundamente desigual: poucos privilegiados podem absorver preços mais altos sem esforço, enquanto milhões de outros são forçados a escolher entre comprar comida e aquecer suas casas.
Estabilizar a crise
Ele defende que é preciso impedir a expansão dessas guerras, proteger os civis e cobrar o espaço político necessário para a diplomacia e a paz.
Para as pessoas que exigem segurança básica e dignidade em todos os lugares, Guterres indica que a expectativa é de que governos e instituições internacionais cumpram seu papel e ofereçam resultados.
Como forma de estabilizar a crise, o apelo aos líderes globais é que encarem as desigualdades que dividem as sociedades, travando os conflitos em cascata que multiplicam o sofrimento, elevam os preços, drenam recursos essenciais ao desenvolvimento global e afastam ainda mais um mundo que já se encontra fraturado.
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Com informações da ONU
