Em conflitos armados, os ataques direcionados às infraestruturas de água e saneamento básico triplicaram entre 2021 e 2025, de acordo com o novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

O estudo analisou 23 países e territórios sobre o uso de armas explosivas e drones armados na destruição de redes de abastecimento, estações de tratamento e poços, colocando milhões de crianças em risco de desnutrição, surtos de doenças e violência.

Efeito dominó na saúde 

Em 2024, a Organização Mundial da Saúde, OMS, registrou casos de cólera e surtos associados à falta de saneamento básico em dezenas de países. 

Na Faixa de Gaza, por exemplo, a falta de saneamento provocou o reaparecimento da poliomielite, casos de hepatite A e infecções cutâneas entre crianças.

No Líbano há registros de funcionários  de empresas locais de distribuição de água assassinados enquanto realizavam reparações ou operações de transporte.   

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, destaca que os trabalhadores humanitários fazem o seu melhor para manter a água nesses territórios, apesar do aumento dos ataques, porém, reparos não podem substituir a proteção dessas instalações.

Nesses casos, mulheres e meninas enfrentam jornadas longas e perigosas para buscar água fora de casa, ficando expostas a riscos de violência, exploração e abandono escolar.

Inovação em meio à crise

O relatório aponta que equipes humanitárias e comunidades locais têm criado novas abordagens para manter os serviços funcionando.

Entre as soluções, destacam-se a transição para sistemas de bombeamento solar, reduzindo a dependência de redes elétricas e combustíveis fósseis, a descentralização de redes de abastecimento e o treinamento de comitês locais e mecânicos comunitários para realizar reparos rápidos em áreas de acesso restrito.

O Unicef faz um apelo para que, nas regiões em conflito, os envolvidos cumpram o direito internacional humanitário, protejam a infraestrutura civil e garantam o acesso seguro para equipes humanitárias e de manutenção.

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Com informações da ONU

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