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Início - Mundo - Acnur lança apelo de US$ 1,6 bilhão para socorrer refugiados sudaneses

Acnur lança apelo de US$ 1,6 bilhão para socorrer refugiados sudaneses

RedacaoBy Redacaofevereiro 19, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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A guerra no Sudão continua a gerar deslocações em massa e a agravar aquela que já é considerada a maior crise humanitária e de deslocamento do mundo.

A declaração é do diretor regional para África Oriental e Austral da Agência da ONU para Refugiados, Acnur. Mamadou Dian Balde, afirmou  que milhares de pessoas continuam a atravessar fronteiras semanalmente, muitas vezes chegando a regiões já vulneráveis, onde os serviços públicos e as oportunidades económicas eram limitados mesmo antes do início do conflito.

Cerca de 470 mil novos refugiados em 2026

Segundo o Acnur, o Plano Regional de Resposta aos Refugiados do Sudão 2026, Rrrp, continuará a priorizar apoio a cerca de 470 mil novos refugiados esperados nos países vizinhos ao longo deste ano.

O plano também inclui assistência para milhares de pessoas que permanecem em áreas fronteiriças, onde têm recebido apenas apoio básico desde a sua chegada.

A agência sublinhou que a necessidade de um quarto apelo anual desta dimensão evidencia o impacto persistente do conflito e a dificuldade crescente da resposta humanitária em acompanhar o ritmo das necessidades.

Pessoas que fugiram dos combates em El Fasher e arredores aguardam assistência em Tawila, no estado de Darfur do Norte, no Sudão

Pessoas que fugiram dos combates em El Fasher e arredores aguardam assistência em Tawila, no estado de Darfur do Norte, no Sudão

Acesso humanitário limitado

O Acnur indicou que, quase três anos após o início da guerra, o Sudão continua a ser palco de combates em várias regiões, com serviços essenciais colapsados e acesso humanitário restrito em muitas áreas.

A agência descreveu a crise como ocorrendo num contexto de forte pressão global sobre o financiamento humanitário, das últimas décadas.

Egito fecha centros de chegada

De acordo com o Acnur, o Egito tornou-se o país que acolhe o maior número de pessoas a fugir do Sudão, com a chegada de refugiados quase a quadruplicar desde 2023.

No entanto, cortes significativos no financiamento obrigaram o Acnur a encerrar dois dos três centros de registo no país, afetando o acesso dos refugiados a serviços críticos de proteção.

O financiamento disponível por refugiado caiu para 4 dólares por mês em 2025, comparado com 11 dólares em 2022, segundo a agência.

Chade e Uganda têm falhas graves em abrigo e saúde

No leste do Chade, mais de 71 mil famílias refugiadas ainda não receberam apoio habitacional, permanecendo sem abrigo seguro e adequado. A agência acrescentou que cerca de 234 mil pessoas aguardam relocalização e vivem em condições precárias na fronteira.

Já no assentamento de Kiryandongo, Uganda, o encerramento de clínicas e a suspensão de programas essenciais de nutrição aumentaram o risco de doenças para milhares de refugiados sudaneses.

Mais da metade da população do Sudão do Sul sofre de insegurança alimentar aguda

Mais da metade da população do Sudão do Sul sofre de insegurança alimentar aguda

Ajuda imediata e aposta em soluções

Apesar das limitações financeiras, o Acnur afirmou que o apelo regional de 2026 continuará a apoiar países anfitriões com serviços essenciais, incluindo alimentação, abrigo, cuidados de saúde e proteção para recém-chegados e para os refugiados mais vulneráveis.

O plano também dá prioridade a soluções de médio e longo prazos, como a inclusão de refugiados em sistemas nacionais, expansão do acesso à documentação e serviços públicos, e promoção da autossuficiência através de parcerias com atores de desenvolvimento e o setor privado.

O Acnur destacou ainda a intenção de investir em assentamentos mais adaptáveis, como no Chade e na Etiópia, com o objetivo de permitir comunidades mais seguras e estáveis para refugiados e populações anfitriãs.

Aumento das necessidades e redução de recursos 

A agência da ONU alertou que a crescente diferença entre necessidades em expansão e recursos em queda ameaça comprometer tanto a resposta de emergência como soluções sustentáveis.

Sem uma perspectiva clara de paz e com apoio internacional em declínio, a agência afirmou que mais refugiados estão a perder esperança e a optar por seguir viagem.

No ano passado, o número de refugiados sudaneses que fizeram a perigosa travessia rumo à Europa quase triplicou.

O Acnur reitera  concluiu o apelo por maior apoio internacional e por medidas para enfrentar o subfinanciamento persistente das operações humanitárias nos países que acolhem pessoas que fogem do Sudão, sublinhando que a resposta continua a depender de financiamento urgente enquanto não houver uma solução política duradoura para o conflito.

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Com informações da ONU

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