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Início - Mundo - Refugiados na África Oriental e Austral vivem décadas em exílio, aponta Acnur

Refugiados na África Oriental e Austral vivem décadas em exílio, aponta Acnur

RedacaoBy Redacaojunho 11, 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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O deslocamento forçado na África Oriental e Austral deixou de ser uma condição temporária e tornou-se uma realidade de longo prazo: milhões de refugiados permanecem em asilo por quase uma geração inteira. 

Dados do novo relatório da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, revelam que, ao final de 2025, 6,4 milhões de pessoas ainda estavam registradas como refugiados ou solicitantes de asilo na região.

Conflitos e instabilidades

A análise, baseada em registros entre 2001 e 2025, mostra que os deslocamentos na região  raramente são de curto prazo. 

Muitos fugiram da guerra, da instabilidade e da perseguição em países como Sudão, Sudão do Sul e Somália.

O diretor regional do Acnur para a África Oriental e Austral, Mamadou Dian Balde, afirma que, após tantos anos em exílio, os refugiados precisam mais do que ajuda emergencial: necessitam oportunidades e novos caminhos para reconstruir suas vidas.

Segundo ele, o retorno aos locais de origem deve ser apoiado quando houver segurança; quando não, é essencial garantir acesso a educação e trabalho de qualidade.

© UNHCR/Andrew McConnell
Refugiados sudaneses chegam à cidade fronteiriça de Adré, no Chade

Crianças e jovens refugiados

Os dados mostram que três em cada quatro refugiados permanecem deslocados mesmo após cinco anos da emergência inicial.

 Crianças e jovens adultos estão entre os mais afetados: aqueles registrados antes dos cinco anos de idade continuam em situação de asilo por uma média de mais de 18 anos. 

O Acnur destaca que o impacto sobre mulheres e crianças pode durar uma geração ou mais, criando dependência intergeracional da ajuda humanitária.

Processos de paz

Angola e Moçambique aparecem no estudo como países de origem de refugiados.

 Angolanos em asilo na Namíbia permanecem em média 3,5 anos, enquanto na Zâmbia o tempo é menor, cerca de 1,2 anos. 

Já os moçambicanos deslocados para o Malawi ficam em asilo por aproximadamente 2,4 anos. 

Esses períodos relativamente curtos contrastam com outras nacionalidades da região, como os somalis na Eritreia, que chegam a quase uma década. 

Os dados sugerem que, apesar dos conflitos internos em Angola e Moçambique nas décadas anteriores, houve processos de paz e estabilização que permitiram retornos mais rápidos.

WFP Etiópia
Refugiados sul-sudaneses recebem assistência do WFP na fronteira com a Etiópia

Soluções duradouras

Apesar das dificuldades, os países de acolhimento na África Oriental e Austral continuam a abrir suas fronteiras e oferecer proteção a milhões de refugiados. 

O desafio, segundo o Acnur, é transformar essa solidariedade em soluções duradouras.

Para isso, a agência defende que governos, doadores e setor privado invistam em educação, trabalho e inclusão social, garantindo que os deslocados não apenas sobrevivam, mas possam reconstruir suas vidas e contribuir para o desenvolvimento das comunidades que os recebem.

source
Com informações da ONU

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