Um desses talentos é o fotojornalista Emídio Josine. Com uma lente focada na empatia e na ação, Josine construiu uma trajetória sólida colaborando com diversas agências das Nações Unidas.
Tempo real sobre operações de socorro
As entidades a que prestou serviço são Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, o Programa Mundial de Alimentos, WFP, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef e a Organização Internacional para as Migrações. OIM.
Especializado em fotojornalismo de impacto, Josine dedica seu portfólio a dar visibilidade a crises globais urgentes. Suas imagens oferecem um relato poderoso e em tempo real sobre operações de socorro, os impactos de emergências sanitárias e as mobilizações cruciais na defesa dos direitos humanos.
“Foi um momento de devastação para o povo Sena, o povo da beira, e o povo lá sofreu muito. Eu fui um dos primeiros fotógrafos a chegar no terreno quando o ciclone Idai atingiu a província de Sofala… O que eu vi quando cheguei, a primeira coisa que eu tive a chance foi de procurar a beira, o interior da beira, os bairros, e aquilo que eu vi pessoalmente como fotógrafo foi a tristeza na cara das pessoas daquilo que elas perderam. As pessoas tinham perdido completamente tudo.”
Dos ciclones Idai e do ciclone Kenneth, Josine diz ter aprimorado o amor ao próximo, pois foi ali que suas lentes registaram os momentos difíceis. Ele recorda que as pessoas perderam suas casas, seus bens e perderam esperança e vontade de viver.
IDAI 2018, Beira ao largo do rio BUZI, – Centenas de famílias encontraram abrigo no único plano alto da região, alguns não conseguiram salvar os seus bens, gado e plantações. estiam se que milhares de terras aráveis ficaram submersas pelas chuvas do ciclone IDAI.
Lição da vida
“Uma das fotografias que eu mostro aqui nesta reportagem é de uma idosa que quando fui visitar a ela, simplesmente o nosso contato foi visual e nunca chegamos a trocar nenhuma palavra, até hoje que vos falo. E aquilo marcou-me bastante porque eu percebi que as mudanças climáticas provocadas pelo homem trazem um afeto direto e negativo na própria vida de nós, os homens. Então esta fotografia é uma que mais me marcou durante a minha carreira. E foi uma das primeiras fotografias que circulou o mundo sobre o ciclone Idai.”
Na noite de 14 para 15 de março, Moçambique foi assolado pelo ciclone Idai que matou mais de 600 pessoas, provocou mais de 1.641 feridos e causou danos de cerca de US$ 773 milhões.
Seis meses depois, foram necessários cerca de US$ 398 milhões para apoiar a população afetada pelo ciclone mais forte ocorrido no oeste de África em 20 anos e do ciclone Kenneth que passou pelo país seis semanas depois.
Face as diversas situações, Ricardo Franco afirma que o objetivo do fotógrafo é levar as histórias reais, de pessoas reais, ao encontro daqueles que vivem em Tóquio, São Francisco ou que vivem em Genebra, por exemplo…Ele argumenta os fotógrafos chegam a lugares onde a maioria das pessoas nunca vão.
Março de 2024, Comunidade de Nhaboa, Escola de Chibabava, Distrito de Muxungue, Província de Sofala. Sessão de círculo de interesse para discutir diferentes questões relacionadas à proteção de jovens e crianças.
Mensageiros
“As nossas fotos tentam talvez tocar os corações e as mentes daqueles que nos apoiam O que nós tentamos levar é mostrar as problemáticas, mostrar as emergências, desde ciclones, famílias deslocadas, a desnutrição, a educação, saúde, são tantas as áreas que precisam de um olhar atento. Nós transformamos esses números em histórias de pessoas, na sua resiliência, na sua luta por uma vida melhor, com o apoio das agências das Nações Unidas que tentam fazer de tudo para que o sofrimento seja diminuído.
A relação com a fotografia data de 2003, com um vasto acervo fotográfico, Ricardo Franco disse ser difícil escolher fotos para ilustrar os momentos marcantes, porém aleatoriamente recordou de um episódio e partilhou com a ONU News.
“Há uma foto que eu tirei aqui na zona de Chibuto, que é no sul de Moçambique, onde uma mãe foi dar parto num hospital rural, teve gêmeos, ela nunca tinha ido a uma consulta e não me consigo esquecer do olhar perdido daquela jovem, ela era bastante jovem, com duas crianças na mão, onde não tinha capacidade de falar português, só falava a língua local, que é o Changana neste caso, e aquele olhar perdido daquela mãe, que não sabia bem o que havia de fazer agora, é uma imagem que não consigo esquecer, apesar de terem passado já muitos e muitos anos.”
Resgatando memórias marcantes, Franco reforça a importância da fotografia como motor de desenvolvimento. Mas ele deixa um recado importante para fotógrafos experientes e iniciantes: vivemos uma era em que a imagem e o vídeo estão ao alcance de todos e é justamente por isso que o intuito por trás da câmera importa tanto.
Para ele, a fotografia precisa ir além do estético. Deve ser usada como uma força de mobilização para construir uma sociedade mais justa, harmoniosa e guiada pelo amor.
* Ouri Pota é correspondente da ONU News em Maputo.
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Com informações da ONU


