Para o chefe das Nações Unidas, o verdadeiro obstáculo na contenção do vírus não é a falta de conhecimento médico, mas sim a perigosa falta de atenção e de recursos da comunidade internacional. Ele ressaltou que este outro “inimigo” mata tão rápido quanto a própria doença.
Cenários mais frágeis do planeta
Ao falar a jornalistas, Guterres frisou que é necessário superar outro vírus: o “vírus da indiferença”. Ele indicou que a atenção internacional, o foco político e os recursos ainda estão aquém da realidade que se desenrola no terreno.
Profissionais de saúde desinfetam um veículo durante o surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo.
O secretário-geral ressaltou que a crise sanitária ocorre num dos cenários mais frágeis do planeta. Na província de Ituri, onde décadas de conflito já deslocaram um milhão de pessoas, o acesso a cuidados de saúde e alimentação é mínimo.
Na região oriental congolesa, os trabalhadores comunitários e as equipes médicas operam sob constante ameaça, enfrentando ataques a ambulâncias e a centros de tratamento que já custaram a vida a mais de 40 profissionais de saúde.
Outra questão é a infraestrutura precária, que, aliada ao risco contínuo de violência, torna a missão de salvar vidas um desafio diário de sobrevivência.
Reforço da vigilância epidemiológica
Para conter o avanço do vírus, a resposta liderada pelo governo da RD Congo, com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da União Africana, foca-se em cinco pilares estratégicos.
Forças de paz uruguaias fornecem segurança como parte da resposta à emergência do ebola na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo
O primeiro é o engajamento comunitário para combater a desinformação, seguido pelo reforço da vigilância epidemiológica, pela expansão da capacidade de tratamento, pela realização de sepultamentos dignos e seguros e pelo bloqueio da transmissão pelas rotas fluviais e fronteiriças com países vizinhos.
Guterres disse que já se sabe exatamente como conter a transmissão e salvar vidas, mas que, sem financiamento contínuo, as operações correm o risco de parar em poucas semanas.
Resposta humanitária
O financiamento atual cobre apenas metade dos US$ 2,13 bilhões necessários para sustentar a resposta humanitária na região. A janela de oportunidade para evitar uma tragédia ainda maior está a fechar-se rapidamente, destacou o líder da ONU.
António Guterres ressaltou ainda que o mundo possui a tecnologia, os meios e o conhecimento para travar a expansão do ebola, mas precisa agir agora.
Para o chefe das Nações Unidas, superar o vírus da indiferença é a única forma de garantir que a determinação coletiva chegue ao terreno antes que o custo humano e financeiro se torne irreparável.
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Com informações da ONU


