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Início - Mundo - Presidente da Assembleia Geral apela à UE que lidere a defesa da ONU

Presidente da Assembleia Geral apela à UE que lidere a defesa da ONU

RedacaoBy Redacaofevereiro 12, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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A presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, pediu, esta terça-feira, ao Parlamento Europeu, para que a União Europeia assuma um papel central na defesa da Carta da ONU, do sistema internacional e da verdade.

Discursando em Estrasburgo, a líder do maior órgão deliberativo da organização descreveu um contexto de crescente instabilidade global e ataques ao multilateralismo.

Reforço do compromisso com a ONU

Baerbock alertou que a ordem internacional não está apenas sob pressão, mas “sob ataque”, referindo-se aos diversos conflitos que marcam a atualidade, incluindo a Venezuela, o Irã, a Groelândia, a Ucrânia, Gaza e o Sudão.

A representante ressaltou que o contexto geopolítico atual contradiz mais de um século de progresso. Ela defende que no momento em que a ONU é mais necessária, aqueles que têm uma “responsabilidade especial de proteger a paz e a segurança” estão a afastar-se ou mesmo a atacá-la abertamente.

Baerbock apelou a uma aliança entre regiões para proteger e reforçar a Carta da ONU, envolvendo África, Américas, Ásia, Pacífico e Europa. O discurso ressalta  o reforço do compromisso e uma responsabilidade especial por parte da União Europeia.

União para combater a desinformação

Baerbock alertou para o uso deliberado de notícias falsas e da manipulação informativa como instrumentos de poder político, mencionando a presença generalizada nas “redes sociais, televisão, parlamentos, discursos e na Assembleia Geral”. 

Ela destacou ainda que defender a verdade e combater a desinformação e o discurso de ódio exigem uma resposta firme, imediata e coletiva, como demonstrado recentemente no caso da Groelândia. O uso do poder do mercado integrado europeu para apoiar iniciativas das Nações Unidas em matéria de governação digital e de inteligência artificial foi uma das sugestões apresentadas. 

Altos funcionários da ONU seguram cópias da Carta da ONU na sede da ONU em Nova Iorque

Altos funcionários da ONU seguram cópias da Carta da ONU na sede da ONU em Nova Iorque

Ataques aos direitos das mulheres

Falando enquanto mulher, Baerbock defendeu o reconhecimento dos deepfakes como imagens não consensuais, reforçando que 99% têm mulheres como alvo. Para ela, os fenômenos não são isolados, mas sim “ataques sistemáticos contra as mulheres”, que devem ser levados tão a sério como qualquer outra ameaça.

Para a presidente, a defesa da verdade não pode ser passiva, acrescentando que “o silêncio é uma escolha e a inação também”, e que a ação conjunta entre os Estados é essencial perante situações de chantagem, coerção ou intimidação. 

Resposta europeia à guerra na Ucrânia

Baerbock recordou a resposta da União Europeia à invasão da Ucrânia, há quatro anos, quando em poucos dias, os Estados-membros aprovaram em conjunto um dos maiores pacotes de sanções da história, demonstrando unidade, determinação e um propósito comum.

A presidente da Assembleia Geral da ONU reconheceu, contudo, que essa resposta não teria sido possível sem apoio internacional. Ela lembrou as solicitações feitas na Assembleia Geral das Nações Unidas, ressaltando que a guerra na Ucrânia não dizia apenas respeito à Europa, mas sim à ordem internacional e à Carta da ONU. 

Apelo global à Europa

A presidente da Assembleia Geral disse que uma situação semelhante se verifica atualmente, com desafios que não se limitam à Gro elândia, mas se estendem à América Latina, à África e a outras regiões.

Nesse contexto, pediu a uma resposta clara da União Europeia, defendendo um compromisso inequívoco com a ONU e com a paz internacional. Destacou ainda o apelo conjunto feito com o secretário-geral, António Guterres, para a criação de u ma aliança transversal entre regiões.

Baerbock saudou também a posição da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que afirmou estar pronta para reforçar esse compromisso, nomeadamente através de acordos comerciais estratégicos, como os estabelecidos com o Mercosul e a Índia.

Comércio, desenvolvimento e segurança global

A presidente da Assembleia Geral frisou o potencial transformador de acordos comerciais alargados. Ela enfatizou que parcerias com regiões como a Austrália, Nova Zelândia, Canadá, África e Médio Oriente podem criar uma base econômica sólida para a paz. 

Para a responsável, cabe à União Europeia assumir um papel de liderança neste esforço, impulsionando alianças econômicas que reforcem simultaneamente a segurança, o desenvolvimento sustentável e a cooperação internacional.

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque

Reforma das Nações Unidas e responsabilidade financeira

Baerbock reconheceu a existência de burocracia excessiva ao longo dos mais de 80 anos da organização, mas rejeitou qualquer ideia de desmantelamento. Ela alertou ainda para o risco de instrumentalização das fragilidades da ONU por parte de atores que pretendem enfraquecer o multilateralismo ou concentrar a responsabilidade pela paz mundial em grupos restritos. 

A representante encorajou a UE a reforçar o seu envolvimento no processo de reforma, ONU80, e apelou à participação ativa nos debates sobre a reforma da arquitetura financeira internacional. 

Ela defendeu ainda o pagamento em dia e integral das contribuições à ONU e a revisão das regras financeiras em vigor, de forma a evitar um colapso financeiro nos próximos meses.

Inclusividade na liderança da ONU

No encerramento da sua intervenção, Baerbock destacou a importância de uma liderança corajosa e inclusiva, defendendo o apoio às candidaturas femininas ao cargo de Secretário-Geral da ONU. Citando o antigo secretário-geral, Kofi Annan, ela concluiu que não é possível haver desenvolvimento sem paz, nem paz sem respeito pelos direitos humanos.

O discurso apelou ainda a que os Estados não confundam verdade com fraqueza, nem reforma com fracasso.

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Com informações da ONU

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